25 setembro 2006

DEPOIMENTO DE PATRICIA
QUE CUIDA DA AVÓ GERALDINA
PcP há 16 anos

Oi Dalva, quanto tempo, tudo bom contigo?
Espero que ainda te lembre de mim.
Bom a vovó fará 92 anos agora em novembro, e desde a última foto que te enviei ano passado, tantas coisas aconteceram...
Ela passou a ser minha filha em todos os sentidos e agora de uns dias pra cá uma criancinha, e isto muitas vezes me entristece, ainda não consigo aceitar razoavelmente bem a idéia de que é natural o envelhecer e que, ela é uma heroína estar bem, cheia de saúde e viva mesmo estando lutando contra o Mal de Parkinson há mais de 16 anos. Imagina quantos tombos ´sérios ela já não enfrentou e graças à Deus recuperou-se bem de todos eles. Este ano foram dois um em cada semana, ambos com necessidade de emergência hospitalar. E nisto ela sempre me surpreende com sua força. Com a cabeça luxada e sangrando muito ela se mantinha lúcida e dizendo pra me tranqüilizar que estava bem e, ainda me perguntando se o corte havia sido muito grande e profundo. Levou 4 pontos sem nada reclamar, impressionante. Ela realmente é um exemplo de força que uma mulher pode e deve ser. Passei recentemente por uma cirurgia de emergência e naquele momento só pensei nela e procurei me lembrar primeiro no quanto ela precisa de mim, depois no quanto ela sempre foi forte e que deveria me portar exatamente igual à ela, firme, segura. Foi difícil pois estava só e precisando dela ali comigo, mas meu esposo tbm não podia estar comigo pois ela não pode mais ficar só. Esta foto foi tirada alguns dias antes da minha cirurgia e eu achei muito linda.
Gostaria de dizer também, no quanto fico zangada com o olhar crítico das pessoas ao me verem em um restaurante com ela, parece que ninguém quer ver a velhice, se espantam ao ver alguém tão idosa ainda nas ruas, e comendo mesmo com toda a dificuldade dela, acho importante que ela perceba e viva tudo que pode e que eu posso dar à ela. Sei que aqui pode parecer mentira minhas palavras, mas os amigos que me conhecem sabem o quanto tudo isto e muito mais é verdade. Fica como um desabafo e um testemunho à todos que igualmente lutam contra o Parkinson, acreditem é possível conviver com as dificuldades, limitações mesmo sem recursos, como é o nosso caso atualmente, mas Deus não nos deixa faltar nada e eu tenho aprendido sobre a vida com ela o que é o amor verdadeiro. Por isso ela é a super Geraldina e eu sou muito mais do que neta, sua filha.
Um beijo no coração Dalva.
Patrícia Araújo


2 comentários:

Reni disse...

Realmente, não somos tolerantes com a velhice e com a doença. Minha mãe não quer que a cuidadora ande com meu pai na rua, com receio do que os outros vão falar.
E eu sinto "aquele olhar" das pessoas sobre meu pai até quando estamos em uma unidade hospitalar, na sala de espera.
É triste saber o valor que as pessoas dão ao estado dos outros.

Renilda

marcilioII disse...

Salve, Patricia.
Li teu depoimento sobre sua avó Geraldina. Aproveito este espaço para dizer-te o quanto é tocante tua dedicaçao e solidarizar-me com a tua luta. Aproveito também para mandar um beijo especial para a vó Geraldina, desejar-lhe saúde e força e agradecer seu exemplo de amor à vida.